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Projetando o futuro da Internet


28 | 05 | 2007
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Por Alexandre Magalhães
Coordenador de análise do IBOPE/NetRatings

Lembro-me de uma entrevista com Carlos Heitor Cony há algum tempo, na qual ele afirmava que, apesar de ter adotado um computador recentemente, ainda preferia a velha e boa máquina de datilografia. Eu mesmo, formado no curso de datilografia do Senac, carrego comigo uma enorme facilidade de digitar textos sem olhar para o teclado , coisa que não percebo na maioria dos profissionais de hoje. Somos fruto direto de muitas relações e coisas que vivemos e experimentamos durante as várias fases de nossas vidas. Ainda leio jornal físico, que suja minhas mãos diariamente, apesar de passar horas na Internet todos os dias.

Estou impressionado de ver como está arraigada na cabeça das crianças e adolescentes a vivência com a interatividade, a auto-exposição e a necessidade de participar da construção de conteúdo de qualquer página na Web.

Levantei dados do IBOPE//NetRatings sobre o uso da Internet por crianças e adolescentes em março de 2007, e a importância da chamada web 2.0 é muito clara. Entre crianças e adolescentes de 2 a 16 anos, dos 28 nomes com maior índice de afinidade* com esse target, apenas quatro não são produtos diretamente ligados ao fenômeno web 2.0. Dos 28 endereços com maior afinidade, cinco eram comunidades e quatro fotologs. A tabela a seguir mostra os dados com maior detalhe. Mesmo os sites infantis, já mostram uma interatividade muito grande (ou não teriam audiência!).

Focando a pesquisa no adolescente de 12 a 16 anos, faixa etária também escolhida aleatoriamente, dos 48 endereços com altos índices de afinidade, sete são comunidades, seis são buscadores, três são sites de música, três de vídeo e três são fotologs, entre outros muitos conteúdos participativos.

Apesar de terem idades muito próximo dos adolescentes, pessoas um pouco mais velhas, entre 20 a 30 anos, já mostram um tipo de navegação muito mais próxima do que talvez chamássemos de Web 1.0, ou seja, motivado por resolução de problemas concretos, como e-banking, e-commerce, notícias, entre outros conteúdos.

Acredito que as empresas que oferecem esse conteúdo, que hoje é muito importante para os mais velhos, serão forçadas a oferecer algo muito mais interativo e muito menos “isso é o que nossa corporação oferece online. É pegar ou largar”. É fundamental para as empresas se planejarem para receber o adolescente de hoje como cliente de amanhã, sabendo que ele experimentou tudo de mais interativo, participativo, com bastante imagem e música. Um mundo em que muitas vezes há dificuldades com direito autoral, à privacidade, entre outras aberturas que a web proporciona.

Assim como o Cony prefere a máquina de datilografia, os novos consumidores preferirão consumir de empresas que os deixem manifestarem-se como aprenderam a fazer em sua adolescência.

Fonte: WNews


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